quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Desabafo de uma Bomjesuense.

O texto que publico a seguir é um lamento da amiga jornalista Elis Monteiro, publicado na íntegra a pedido da mesma para tentar chamar a atenção da sociedade ao surto de dengue que assola a cidade de Bom Jesus de Itabapoana, no norte do estado do Rio de Janeiro.


"Tragédia silenciosa


Elis Monteiro *jornalista e Bonjesuense


Há acontecimentos, tragédias como a da Região Serrana que, pelas suas dimensões, acabam mobilizando milhares de pessoas em torno de uma (boa) causa – ajudar os necessitados, salvar vidas, aliviar a dor de quem ficou. A internet já mostrou seu potencial para denunciar governos, expor mazelas acobertadas por bandeiras ideológicas e unir pessoas em prol de um ideal. Mas há tragédias sorrateiras, que não ganham as manchetes dos jornais, que vão matando aos poucos e, quando a população se dá conta...centenas de mortos, um rastro de tristeza e famílias inteiras à beira do colapso.


Uma dessas tragédias silenciosas está acontecendo em Bom Jesus do Itabapoana, pequena cidade ao norte do Estado do Rio de Janeiro. Não se trata de uma tromba d’água, tsunami nem uma enchente de grandes proporções, mas um mosquito que, há tempos, vem desafiando médicos e especialistas. Bom Jesus está sofrendo com a dengue. Dezenas de mortos, dentre eles crianças e adolescentes, que não viram estatística porque a voz dos sofridos não alcança os megafones públicos.


O hospital da cidade está à beira do colapso, na iminência de fechar as portas; médicos ficam sem dormir tentando salvar vidas; casos “menos graves” têm sido rejeitados, por absoluta falta de estrutura e/ou ajuda do poder público. É como se toda uma população fosse sendo esquecida aos poucos, abandonada pela sua pequenez. Como se a vida de uma criança ou de um senhor de 80 anos, cheio de vitalidade e saúde, que sucumbe à dengue hemorrágica, não fossem importantes para o resto da sociedade.


Os relatos são apavorantes – mães que escondem os filhos dentro de casa por medo de os perderem. Filhos que vêem os pais padecerem, sangrando pelos poros, largados em macas no meio dos corredores do hospital. Sangue, tristeza, desespero, esquecimento.


A prefeitura, dizem os médicos, só se mexeu para mandar circular carros jogando fumaça de diesel queimado – não há verba para o tal fumacê. Nem vontade política. Porque a tal doença só pode ser comprovada quase um mês depois de feito o exame. Um mês depois do enterro, porque as vidas estão escorregando entre os dedos dos médicos. Infectologistas, cirurgiões, todas as especialidades se misturam numa força-tarefa para salvar alguns – porque salvar todos é impossível. Segundo relatos de especialistas da cidade, quase 50% da população – de 30 mil habitantes – está com dengue ou com sintomas de. E nada. A grande mídia não se manifesta. Não há movimentos nas redes sociais. Não há um chamariz porque a dengue não é sedutora. É feia. É suja. É pobre. É culpa de quem não fez a sua parte, cobrindo piscinas ou jogando fora água parada.


Neste caso, no entanto, culpar alguém não adianta. É preciso fazer alguma coisa, mesmo que seja gritar. Em nome do pobre doutor Luciano, diretor da mais conceituada escola da cidade, que dedicou sua vida – saudável e vibrante - a ensinar e que acabou falecendo, perdendo a vida para a mais besta das doenças, culpa de um mosquitinho de nada. Assim como ele, vítimas pobres, moradoras de bairros menos favorecidos, vão se juntando a uma lista indigente, de pessoas que...ora, só estavam no lugar errado na hora errada! Afinal, quem pode controlar o bater de asas de um mosquito irreverente que já virou fantasia de carnaval?


A existência da dengue – e de sua versão mais agressiva, a hemorrágica - não é novidade para ninguém. Não vende jornal, não vira manchete. Não é chamariz de palanque, não merece “trendar”. Enquanto isso, a adolescente agoniza no leito do hospital, com médicos correndo como loucos, tentando salvar aqueles que o estado já desistiu de ajudar. Pior: nem tentou.


Por que não gritar? Nenhuma vida é menos importante que a outra apenas porque está longe das vistas do morador das grandes cidades. E os Bonjesuenes ausentes, como eu, choram pela morte dos seus. Pedindo apenas um pouco de atenção. Tentando arrumar uma forma de tirar a família da área de risco. Sim, Bom Jesus se tornou um grande vale de risco de morte.


Não pedimos queda de prefeito nem revolta contra governos. Só pedimos o que é nosso direito – não ver nossos queridos morrendo à toa, sangrando pelos poros."


É isso aí, Elis Monteiro. Grite bem alto, não fique só lamentando as mortes mas tente mobilizar toda a sociedade para os problemas que os políticos cerram os olhos para não verem.


O Momento para Refletir é solidário a toda a sociedade civil, a todas as pessoas de bem deste nosso Brasil


É momento para refletir!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Desabafo duma carioca residente em Petrópolis.

Recebi esse twitter de @SilvanaNunes_RJ na data de hoje e achei um desabafo muito apropriado duma carioca atualmente residindo em Petrópolis mas que não consegue entender a catástrofe que acometeu a região serrana do Rio de Janeiro desde o dia 11 de janeiro deste ano. Portanto, eu o reproduzo aqui na íntegra.

"Petrópolis, 14 de janeiro de 2010.

A morte não admite palavra. Ela nos põe para fora da palavra, onde o silêncio mora e aflora. As tragédias sempre nos chocam, nos mobilizam, nos levam a um mergulho nas razões da existência e a questionamentos em relação à existência de Deus" (Jean Wyllys). Não precisa uma tragédia tomar consistência bíblica para que o Estado tome suas providências. Somente hoje, após quatro dias do acontecido, o efetivo do exército sobe a serra para ajudar nas buscas. Finalmente ! A região serrana pede socorro. A população está apreensiva com a possibilidade de novas chuvas e deslizamentos, já que o solo está encharcado . Agora cedo ( 9:34h ), um total de 534 mortes, ainda com inúmeros relatos de soterrados e desaparecidos. Filas com mais de 50 pessoas nos mercados e postos de gasolina. Muitos comerciantes, numa total falta de respeito ao semelhante, se aproveitando da situação catastrófica, cobrando abusivamente R$6,00 num litro de leite, R$ 15,00 numa caixa de vela, R$100,00 num botijão de gás, R$40,00 por um galão de água. Então eu me pergunto: “Por que se aproveitar de um momento tão doloroso? Certamente irão pagar o preço pela ganância. Notícias de arrastão na cidade de Teresópolis (na Calçada da Fama), o comércio está amedrontado, a maioria com as portas fechadas com medo de saques. A nossa região está desfigurada. Desta vez, a culpa não foi só das construções irregulares, pobres e ricos foram soterrados nessa tragédia, a maior contabilizada até o momento. Em Petrópolis, a situação topográfica não nos deixa muitas opções: ou se mora na serra, ou nos vales.O que nos falta é uma lei de responsabilidade social, um sistema de alerta para as chuvas que funcione, um programa de educação ambiental.Peço que a voz da imprensa interceda por nós, já que o poder político - tão onipotente no momento das eleições - não cumpre suas promessas de campanha.Muito medo assombra os lares da região serrana porque as chuvas continuam. Só posso crer que Deus tem uma grande lição para a sociedade.

Silvana G. Nunes.'.
Carioca, morando desde 2007 em Petrópolis."

É momento para refletir!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Carne e unha, almas gêmeas...

Olá, meninos e meninas.
Espero que estejam gostando dos novos posts, o objetivo é raciocinar sobre as coisas que me acometem e que também acometem a todas as pessoas. Este espaço é de todos vocês que curtem o "Momento para refletir", e espero que possam ler, pensar, refletir e colaborar com este espaço que não é somente do Marcio. Enviem a mim os seus posts que, após uma breve leitura, serão aqui publicados e compartilhados com todos. Mas... vamos a mais um "Momento para refletir".

Gostaria de saber quem aqui nunca se sentiu atraído por alguém que não fosse somente por conotação sexual, que nunca sonhou em um dia encontrar aquela pessoa que nos faz sentir alegria, leveza d'alma, serenidade, esperança, ou seja, aquela verdadeira "cara-metade". Pois é, nos atuais tempos modernos ninguém tem mais espaço nas "parcas" 24 horas do seu dia para dar vazão à emoção e sintonizar as coisas mais lindas que o mundo nos reserva. O interessante disso tudo é que a beleza nos rodeia estando presente em tudo, nos pequenos e grandes acontecimentos, num lindo amanhecer de sol ou mesmo naquele dia chuvoso, naquele emprego numa grande multinacional conquistado ou no pequeno bebê que chega para alegrar e fazer parte da família.

Pois é, almas gêmeas existem. Tenho a plena certeza disso pois um dia conheci a minha, mesmo que não possa fazer parte de sua singela vida. Como diria Fábio Júnior: "Carne e unha, almas gêmeas, bate coração, a metade das laranjas, dois amantes dois irmãos, duas forças que se atraem sonho lindo de viver, tô morrendo de vontade de você...". Sempre li sobre almas gêmeas mas sempre achei o causo meio que "folclórico", imaginem... duas pessoas se conhecerem nesta vida tendo o claro sentimento de que nada para eles é novidade. De que, um dia no passado, viveram algo de muito profundo juntos.

Carne e unha, almas gêmeas, bate o meu coração por você... as metades do meu amor e do seu, dois amantes que se amam sem culpa e medo de serem felizes. Isso eu senti por uma mulher lá do brasil central, uma mulher que já tem dono mas que, num momento de desespero e desolação cruzou o meu caminho através das águas navegáveis da grande rede. Terras distantes tornam-se muito próximas, histórias de amor vem e vão na velocidade da luz dos elétrons que circulam através de concentradores, cabos de cobre, ondas de radiofrequência e muitos outros meios de interconexão entre redes de computadores. Corpos distantes se completam, histórias de amor mal resolvidas noutras vidas vêem à tona nesta, à espera de um lindo final feliz.

Mas... nem tudo é um conto de fadas. Adultos são seres cheios de responsabilidades para com a sociedade, e nem sempre tem coragem de fazer o que mandam os seus corações. Em sua grande maioria, obedecem cegamente às ordens desta que corrompe o amor, pagando um alto preço para manter famílias unidas debaixo do véu da mentira e ilusão. Muito caro e difícil amar para um adulto, vive-se pela sociedade e não para a satisfação de nossos desejos pessoais, almas gêmeas são fadadas ao esquecimento. Unhas ficam sem a carne que as completa, a laranja é de uma única metade, os amantes não se amam mais, as forças já não tem mais poder de atração mas sim, de repulsão. Tristes fatos, tristes verdades, belas mentiras...



Maria Aparecida, você é a metade da minha laranja, a minha amante, a força que me atrai. Por mais que você queira correr e se afastar dessa verdade, o véu da ilusão um dia será rasgado e nossas vidas se encontrarão novamente como um rio encontra o mar para nele desaguar. Amo você como nunca mais consegui amar alguém, o meu coração rendido a ti está, a vida não tem mais sentido sem a tua doce e imaculada presença. Maria Aparecida, Aparecida Maria, mais uma vez apareça a mim com a sua presença e o seu sorriso. Mais uma vez me faça descobrir o que é felicidade, o significado da palavra amor, a alegria que vem de um sorriso de mulher. Sei que você é minha alma gêmea, que somos as metades da laranja e nada irá mudar essa verdade na minha mente e coração. Estarei aqui te esperando, com os braços sempre abertos a te oferecerem um grande e reconfortante amplexo. Saiba que você tem em mim um grande amigo, um amante, um irmão, uma força a te atrair prestes a viver um sonho lindo contigo.

É momento para refletir!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O nosso Haiti é aqui.

O povo brasileiro é de uma grandeza ímpar, somos uma nação que irmana com todos os povos do mundo. O momento atual é de comoção e solidarização com o povo do Haiti, existe até o desejo político de que a missão brasileira fique no país por mais 5 anos conforme foi publicado nos jornais de ontem. Também me comovo e solidarizo com o povo haitiano, mas me comovo e solidarizo mais ainda com o povo brasileiro. As chuvas de verão tem castigado principalmente o sul e o sudeste, além de enchentes também temos visto catástrofes com enormes perdas de vidas decorrentes de deslizamentos por conta de tais chuvas. Gisele Bündchen doou 1,5 milhão de dólares para o Haiti, mas digo a todos que o nosso Haiti é aqui mesmo no Brasil.


O Brasil tem sido muito "esculachado" pelos políticos, nunca se viu tanta corrupção assim na vida desta nação. Durante a ditadura militar o custo de vida era mais barato, as coisas não eram tão caras e o salário não valia tão pouco. O custo Brasil da democracia e do governo civil tem sido muito alto, nosso país é rico mas de uma distribuição de riqueza extremamente desigual. O governo tributa muito para ter o que roubar (triste verdade), o que se paga de tributos para consumir neste país é de um montante absurdo não se reverte em prol da população.

Temos muitas pessoas abaixo da linha da pobreza, é muito difícil arrumar um bom emprego neste país. Os salários da iniciativa privada são muito baixos, pessoas vivem sob o perigo dos deslizamentos nos moros e à margem dos rios, a classe média baixa não consegue pagar as altas tarifas praticadas pelas concessionárias de iluminação, pelo fornecimento de água potável entre outros exemplos. A saúde no Brasil só existe para os ricos (políticos entre outros), a educação beira o ridículo. Qualquer país desenvolvido trabalha mais de um idioma com suas crianças, no caso do Rio de Janeiro, que é uma cidade turística, nossas crianças deveriam ser alfabetizadas em dois idiomas pelo menos, desde a sua inserção na escola. E não digo isso dos colégios particulares pois já existem vários assim, digo isso dos colégios públicos. A educação é o bem mais precioso que se pode conquistar na vida, e o ensino fundamental e médio deveria ser de exclusividade do Estado, e não ser tratado como moeda de troca.

Com tantos políticos roubando (a sua maioria), não sobra dinheiro para investir no nosso povo. Mas sobra pra enviar para o Haiti e o Lula vender a imagem externa de bom samaritano, e sobra para os superfaturamentos de obras públicas,
sobra pra colocar dinheiro nas meias, cuecas, calcinhas e sutiãs dos párias da nação. Alguém tem alguma dúvida de que o nosso Haiti é aqui? Por que as pessoas constroem nos morros e encostas para depois isso tudo vir abaixo e perderem bens e entes queridos, cadê a presença do poder público que não coíbe tais práticas de ocupação irregular? Por que os bens de consumo costumam ser tão caros no Brasil? Por que a nossa telefonia é uma das mais caras do mundo, se nossos trabalhadores não tem dinheiro para pagar por tão altos custos?


Senhores políticos, senhores empresários, senhores e senhoras personalidades públicas... vamos olhar mais pelo povo brasileiro. Vamos dar melhores condições de moradia, saúde, educação, emprego e salários decentes para o nosso povo. Vamos matar a fome e a sede da nação brasileira, desse povo tão ordeiro e decente, de tão grande coração. Vamos resgatar a cidadania e o amor próprio do brasileiro, vamos cuidar do nosso Haiti e deixar o Haiti dos outros para os outros.

Talvez numa era não muito distante, o Brasil seja verdadeiramente uma grande e rica nação, de um povo ordeiro e culto, onde não faltem oportunidades de trabalho e moradia para todos. Um lugar abençoado por Deus, administrado por pessoas decentes, e que nos permita olhar para aqueles que nos rodeiam e sermos solidários a eles sem prejudicar o nosso povo. Assim eu creio, e todos aqueles que tem fé com certeza compartilham deste meu sentimento.


É momento para refletir!